NOOB EM PESQUISA: GAMIFICAÇÃO

Guia de Estudos
16/11/2020
POR
Carlos Silva
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Apesar de ser um assunto da moda, não é algo tão novo assim. Gamificação hoje é entendida, grosseiramente, como a aplicação de técnicas de jogos em situações que não são jogos. Esta definição, por si só, causa muitas dores de cabeça para qualquer estudante do assunto. O que são jogos? E o que é uma situação “não-jogo”? Não é simples responder isto. Acreditem.

O ponto principal da gamificação, no entanto, não é descobrir o que é jogo e que não é. Trata-se de utilizar o conhecimento desenvolvido pela indústria do game design, que nasceu e cresceu muito nestes últimos 50 anos, em contextos que estão além dos jogos voltados para entretenimento, aplicando tais técnicas na comunicação e na educação – como nos ensina o professor Werbach.

O fato é que há muito tempo os jogos são utilizados para transmitir mensagens e ensinar. Historicamente, jogos e rituais são a estrutura que dariam origem e continuidade às civilizações. No entanto, desde o fim do sec. XX, 1) a influência na cultura por conta da lógica comunicação-mídia-entretenimento consolidada pelo sistema industrial, comercial e de consumo; 2) a difusão do acesso aos sistemas computacionais e; 3) a conectividade desses sistemas através da internet proporcionou um território fértil para a produção e o consumo de jogos se multiplicassem de modo exponencial. Hoje, é inegável que os jogos, enquanto mídia são parte importante da cultura digital.

Aproveitando essa cultura do jogo, autores como estes abaixo trazem a proposta de utilizar o conhecimento do game design em áreas diversas. Chame de gamificação, ludificação ou o que seja. O importante é notar que  a segregação das teorias do game design, que a isola no espaço do entretenimento, já não fazem mais sentido. Para saber mais, algumas dicas de leitura abaixo.

McGONIGAL, Jane.Reality is broken: why games make us better and how they can change the world. Nova Iorque: Penguin Press, 2011Vista como a grande guru da gamificação, McGonigal consegue explicar game design para quem sabe pouco sobre game, e sobre design. Este é o seu brilho: falar sobre jogos de maneira clara, organizada, e acessível. Jeito de escrever bem convergente com a ideia de gamificação.
WERBACH, Kevin; HUNTER, Dan. For the win: How game thinking can revolutionize your business. Filadélfia: Wharton Digital Press, 2012Para quem quer organizar seu próprio projeto de gamificação, Werbach e Dan entregam boas estruturas. Recentemente o prof. Werbach deu o curso de gamificação no Coursera (https://www.coursera.org/course/gamification). Fique de olho no website para novas turmas!
BURKE, B. Gamify: How Gamification Motivates People to Do Extraordinary Things. Brookline: Bibliomotion, 2014O que eu mais gosto do livro do Burke é a técnica dele baseada em seis passos, que ele aponta como “centrada no jogador” – algo muito importante quando estamos falando de game design. Apesar de, pessoalmente, utilizar mais o método de Werbach, utilizo muito as ilustrações do livro do Burke para explicar certos pontos que nesta outra obra não ficam tão claras.
PAHARIA, Rajat. Loyalty 3.0: How to Revolutionize Customer and Employee Engagement with Big Data and Gamification. Nova Iorque: McGraw Hill Professional, 2013O mais interessante dessa obra não é a sua abordagem de gamificação – que é suficiente, em acordo com tantos outros livros por aí. O livro é bom como abordagem administrativa/ de marketing sobre a gamificação, deixando claro que a técnica pode ser aplicada para gerar lealdade do consumidor, muito baseado nas suas motivações intrínsecas que os levam ao seu comportamento atual de consumo. E tem vários casos também.
ALVES, Flora. Gamification: Como criar experiências de aprendizagem engajadoras. Um guia completo: do conceito à prática. 2ª. ed. São Paulo: DVS, 2015Já temos obras sobre gamificação em português! E esta, da Flora Alves é boa como introdução geral ao tema. Tem tudo o que você precisa saber: as teorias básicas, os fundamentos behavioristas, motivação, condicionamento, técnicas de aplicação e por aí vai. Bem mais acessível do que comprar um livro em inglês
MASTROCOLA, Vicente. Level Hard: Criando, produzindo e pesquisando games no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Autografia Edição e Comunicação Ltda.. 2018Aqui, o Vince Vader (como é mais conhecido), professor, pesquisador e desenvolvedor de jogos, apresenta os desafios de ser um profissional destes no Brasil. Pode ser bom para quem está pensando em entrar na carreira como um importante choque de realidade. O que é mais legal é que ele conta os casos de fracasso, o que é muito raro de encontrar. Ele aprendeu no processo, e decidiu dividir isto com todos nós
LAZARINI, Filipe. Advergame: A publicidade e os jogos digitais – um processo de criação. Curitiba: Appris, 2017Ainda que os advergames tenham caído de moda, a técnica de desenvolvê-los não. O Filipe, um publicitário profissional e pesquisador, estudou estes jogos e publicou o processo de seu desenvolvimento. É bom para quem quer entender a trabalheira que é desenvolver jogos que tenham o objetivo de comunicação, e não de entretenimento. É mais difícil. Vai por mim.

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