Design thinking nos games: Como ele é aplicado?

pessoas em reunião representando processo de design thinking
14/05/2024
POR
Otavio Cintra
COMPARTILHE:
O que você vai ver neste artigo:

Criar coisas novas todos os dias é definitivamente desafiador. Jogos, então? Haja ideia para lore, skins, mapas, quests e até NPCs!

Enquanto as mentes mais criativas se garantem na hora de trazer novidades em cada nova atualização, elas não trabalham sozinhas. E não estou falando apenas da equipe de devs que as acompanham! No post de hoje, vamos falar sobre o processo de onde surgem essas ideias.

Até porque tirá-las do papel é uma jornada e tanto.

Para facilitar o caminho da criação à projeção, grandes desenvolvedoras de jogos utilizam uma ferramenta que tem revolucionado a forma como abordam os desafios citados.

Chamamos ela de Design Thinking.

pessoas planejando processo de design thinking com mesa e ícones holográficos

O que é design thinking?

O design thinking nada mais é do que uma estrutura criativa que separa o processo de criação em etapas, levando sempre o fator humano como base para resolver problemas complexos e encontrar soluções inovadoras.

Dentro dessa estrutura, 5 etapas principais atravessam o caminho iniciado antes mesmo da concepção de uma ideia. Isso porque o primeiro degrau chama-se “empatia”, aquele sentimento de se colocar no lugar do outro, compreender seus anseios e suas necessidades.

Sim, né: quem desenvolve jogos o faz para que eles sejam jogados, e quem vai jogá-los senão os jogadores?

O segundo passo é a definição dos objetivos. Ok, agora sei o que meu público-alvo deseja. Hora de colocar minhas cartas na mesa e definir quais são as metas que vão me motivar por esse caminho.

Depois, e aí sim, inicia-se o processo da ideação. O intuito aqui é deixar as necessidades do público e os objetivos bem claros para que a criatividade flua sem fugir da linha estabelecida pelo design thinking.

Mas isso, é claro, jamais vai impedir alguém de ter uma ideia maluca, por exemplo. Inclusive são elas as que mais fazem sucesso quando lapidadas em algo tangível.

Até porque o processo seguinte é a prototipagem, onde as ideias passam por uma peneira para que as mais viáveis (e legais!) sejam testadas e implementadas no mundo real.

A última parte, é claro, é deixar essa ideia chegar ao público consumidor e obter os tão esperados feedbacks. Pronto, suas soluções estão no mundo real, seus jogos estão sendo jogados e a comunidade está respondendo a ele! Qualquer necessidade de ajuste que surja pelo caminho será, então, considerada para o aperfeiçoamento do produto.

Tudo isso seguindo a lógica da trilha do design thinking. Legal, né?

painel com post-its

As etapas do processo de design thinking

Em suas cinco etapas de operação, o design thinking deixa bem claro que até mesmo a concepção de uma ideia precisa de uma base sólida.

A mesma coisa acontece com jogos digitais, principalmente aqueles que já tem alguma presença no mercado mas buscam integrar coisas novas às suas atualizações.

Antes de chegarmos em como o design thinking funciona para desenvolvedores e quais benefícios podem ser obtidos através dele, vamos mergulhar um pouco mais em cada estágio para entendê-los completamente:

Empatia (ou imersão)

Usar a empatia como início dos trabalhos significa compreender o ponto de vista do usuário e/ou consumidor antes de abordá-lo com algo inédito. Além disso, é nesse processo que você descobre o que esse público precisa e o que não o interessa tanto assim.

Observar, questionar e empatizar são excelentes meios de obter insights valiosos!

Definição de objetivos

Com a informação sobre as necessidades do público e suas preferências gerais em mãos, é hora de definir o problema que deve ser resolvido. Em empresas de vestuário, por exemplo, essas questões podem ter a ver com estilos, cortes e até cores que fariam a diferença para o consumidor.

O segredo é refinar as descobertas da etapa anterior para criar um posicionamento claro e conciso do desafio a ser vencido. Quanto mais específico, melhor!

designer trabalhando com dois monitores e uma mesa digitalizadora

Ideação

Hora de erguer as mangas da camisa e colocar as mãos na massa. Na fase de ideação, não há tempo ruim — soltar a criatividade em cima das informações coletadas não significa limitá-la, apenas direcioná-la, então nada de reprimir aquelas que não parecem ter tanto potencial.

O processo do brainstorming no design thinking também engloba abraçar diferentes perspectivas para gerar o máximo de ideias possível, já que todas ainda passarão pelo processo da peneira.

Prototipagem

Com as ideias na mesa, chegou o momento de separá-las. Na fase da prototipagem, as ideias com maior potencial e tangibilidade são transformadas em simulações ou esboços. O objetivo é criar algo que possa ser testado e iterado rapidamente.

É tipo criar um protótipo de foguete antes de lançá-lo ao espaço. Muitos testes são feitos previamente para que os problemas não sejam descobertos no countdown pro lançamento!

Implementação e Feedback

Protótipo testado? Iterações feitas? O último passo do processo de design thinking é implementar as soluções criadas no mundo real. Hora de entregar os protótipos nas mãos dos usuários, observar como eles interagem com ele e ouvir atentamente aos feedbacks gerados.

Sim, amigos da rede GG: a jornada nunca termina na entrega do resultado final. Todo e qualquer ajuste deve e será feito com base no que é aprendido através de avaliações e feedbacks, sendo que, para obtê-los, é preciso acompanhar o pós-venda.

Para isso servem as comunidades gamers, por exemplo, tão engajadas em reportar problemas talvez até mais do que suscitar elogios 😅 

Em todo caso, o que importa é ouví-los com atenção.

A mesma utilizada no primeiro passo do design thinking: a experiência imersiva.

profissionais de design conversando sobre projeto gráfico em monitor

Como o método de design thinking é aplicado nos games?

O design thinking pode ser aplicado de várias maneiras no mundo dos jogos. Neles, é possível utilizar a jornada de 5 passos para criar experiências envolventes, inovadoras e engajantes.

Os tópicos que abordei mais cedo se repetem no backstage dos jogos eletrônicos, só que adaptados para atender as necessidades do mercado gamer.

Assim como em qualquer outra aplicação do design thinking, precisamos entender as necessidades e desejos do jogador consumidor. Desenvolvedores de jogos costumam realizar pesquisas, entrevistas e testes com grupos selecionados para compreender suas preferências.

Isso permite que experiências significativas sejam construídas in-game.

É através da imersão nas necessidades do jogador que os desenvolvedores definem os desafios existentes e as oportunidades que querem abordar em seus jogos. Isso vai desde melhorias na experiência da gameplay até criações de mecânicas inovadoras.

Chegando nas fases de ideação e prototipagem, os desenvolvedores navegam pelas primeiras concepções através do brainstorming e criam protótipos baseados em suas melhores ideias.

Estas podem vir a formar projetos simples ou esboços de mecânicas para testes ágeis.

Videogames são testados em diferentes estágios de desenvolvimento, desde protótipos iniciais até versões finais do jogo. Sabe aquele meme das mil e uma versões do TCC finalizado? Pois é.

O feedback dos jogadores é coletado até mesmo durante as primeiras versões, como dito anteriormente, através de grupos selecionados. O mesmo acontece com alguns filmes, que são transmitidos em sessões exclusivas para um público seleto e alterados conforme suas reações.

Neste caso (e em outros parecidos), o design thinking torna-se um processo iterativo, o que significa que os desenvolvedores continuam a refinar e aprimorar o jogo com base no feedback adquirido ao longo do tempo.

Isso sem falar nas novidades tecnológicas. Trabalhar no ramo da tecnologia é reconhecer que novidades incríveis podem acontecer quando se menos espera.

desenvolvedores de games conversando sobre ideias de design thinking nos games

Por que o design thinking é importante para o desenvolvimento de jogos?

Criar jogos é uma arte que demanda tempo.

Dentro desse tempo existem altos fluxos de ideias, problemas a serem resolvidos e feedbacks a serem coletados — tudo isso durante o processo de desenvolvimento, ou seja, antes mesmo dos títulos chegarem às plataformas virtuais.

O trabalho que vem depois rende um artigo à parte.

Estruturas como as que temos dentro do design thinking ajudam a organizar essas demandas por partes específicas, que por sua vez permitem um fluxo amigável para diferentes tipos de estratégia e leituras de oportunidades.

Isso sem falar nas melhorias pontuais:

Foco no jogador

O design thinking coloca o jogador no centro do processo de desenvolvimento.

Isso significa que um jogo que nasce dessas etapas segue as necessidades, desejos e experiências do público que irá jogá-lo desde o início, resultando em experiências mais envolventes e expressivas.

Resolução de problemas

A estrutura do design thinking também auxilia na identificação e resolução de problemas de design.

Seguindo as etapas do processo, desenvolvedores podem identificar desafios complexos e elaborar soluções mais criativas, além de acompanhar cada evolução pelas etapas distintas.

Abordagem interativa e colaborativa

Com as preferências e as necessidades dos jogadores em mente, desenvolvedores podem criar jogos que sejam mais interativos e cativantes para determinado público.
Isso, mais a participação do usuário através dos feedbacks ouvidos, ajuda a promover satisfação e aumenta as chances de sucesso comercial para os videogames. Que jogador não gosta de saber que suas opiniões importam hoje em dia?

mulher gamer jogando sentada em cadeira gamer usando headset

Benefícios do design thinking no desenvolvimento de jogos

Você já sabe o que é design thinking, como ele funciona e até a sua aplicação no desenvolvimento de jogos eletrônicos.

Eu não sei você, mas redigir este artigo e estudar este processo fez ele se tornar um dos meus métodos favoritos de organizar projetos do lado de cá. Só que se a sua praia for o lado dev da força, pode ser que ainda falte um pouco mais de convencimento.

Nada tema.

Os benefícios do design thinking nessa área impactam positivamente tanto os devs quanto os jogadores finais. As principais vantagens que mais chamam a atenção no mercado são:

Maior engajamento do jogador

Porque ao compreender os jogadores e realizar entregas de acordo com suas preferências, desenvolvedores aproximam-se do hype e da satisfação de um público engajado.

Quer saber como andam as preferências do jogador brasileiro? Baixe a PGB de graça!

Melhor experiência do usuário

Porque ao compreender as necessidades desses jogadores, o design thinking permite que experiências envolventes sejam criadas a partir de uma melhor percepção de oportunidades, desafios e soluções.

profissional de criação fazendo anotações em post-it grudado em parede de vidro

Inovação e criatividade

Porque uma estrutura que separa uma etapa inteira para um brainstorming definitivamente conhece a importância da criatividade e da experimentação.

Nada te impede de criar na etapa 1 ou nas posteriores, é claro. Como dito anteriormente, oportunidades surgem a qualquer momento no ramo da tecnologia, onde seus avanços também influenciam seu consumo.

Dito isso, as principais lições que podemos extrair do design thinking é:

  • Coloque as necessidades do público em primeiro lugar
  • Explore novas ideias e conceitos com embasamento
  • Nunca deixe de coletar feedbacks relevantes
  • E manter a organização nunca é demais.

Conclusão! O design thinking oferece uma abordagem muito interessante para o desenvolvimento de jogos, resultando em criações mais envolventes, inovadoras e centradas na experiência do jogador.

Até porque a opinião dele é a que realmente importa.

Curtiu o artigo? Aproveite sua estadia no blog do GG e confira outros igualmente relevantes para o mercado de jogos digitais! Nos vemos no próximo post 😉

Siga nossas redes sociais:

POSTS RELACIONADOS